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ANTONIO CARNIATO FILHO
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A VISITA
Por: ANTONIO CARNIATO FILHO

A VISITA


Numa pequena propriedade rural, situada ao lado de grande vale com paisagens bucólicas, havia uma casinha branca, bem conservada, atrás um pequeno rancho onde, nas manhãs era ordenhado o gado; mais adiante um variado pomar se divisava com um arroio de águas límpidas que corria sossegadamente por entre suas margens, cujo ruído, seu cantar, quebrava o silêncio da solidão.
De manhazinha mal o sol aparecia na barra do horizonte, Paulo já estava no rancho preparando as vacas para serem ordenhadas. Lena sua esposa, preparava o lanche matinal e o cheiro de café fresco dominava todo o ambiente. Era uma manhã exuberante de outono, um friozinho roçava as plantas, os animais movimentam-se, a propriedade era possuidora de uma grande variedade de aves, suínos, caprinos e outros animais de trabalho.
Paulo e Maria viviam junto a um único filho ainda menor de idade que se chamava Oscar. A vida para a família era monótona, a paisagem apesar de linda tornou-se cansativa, a mesma montanha, o mesmo rio, a mesma casa, o mesmo rancho, as manhãs e as tardes muito parecidas, faziam o casal dialogar:
-Lena, tu não estás cansada de ficar aqui todos os dias?
-Estou sim, Paulo, não vejo a hora de ir à cidade! Quero ver gente, movimento, comércio, coisas bonitas, encontrar amigos.
– Pois olha, eu também estou entediado, não vejo a hora de sair, levar o nosso menino para conhecer a cidade, matar a saudade de meus amigos, tomar uma cervejinha bem gelada. Sabe, Lena, a gente tem aqui muita fartura, nada falta para a nossa subsistência, mas precisamos arejar a cabeça com coisas novas, trocar esta solidão, este silêncio, por um pouco de agitação e barulho da cidade.
-Pois é, Paulo, se você estiver de acordo, hoje vou preparar as nossas roupas novas e amanhã cedo vamos até a estrada, pegamos uma carona e em pouco tempo estaremos na cidade.
-A ideia é maravilhosa! Pode arrumar as nossas coisas, vamos adiantar os serviços. Depois que eu ordenhar o gado, nós partiremos. Vamos a pé até a estrada, pegamos a carona e vamos à cidade. Visitaremos o compadre Aleixo e a comadre Cida, padrinhos do Oscar, assim nós almoçamos lá.
No dia seguinte, o casal levantou-se mais cedo, conforme combinado, tomaram todas as providências e rumaram à cidade. Santa Isabel, uma pequenina cidade encravada nas montanhas de Itatiaia, pacata, porém de um povo ordeiro e encantador que recebia sempre os seus visitantes com alegria, oferecendo amizade e cordialidade.
Assim a família do senhor Paulo entrou e caminhava pelas ruas. Tão logo começaram sentir toda a camaradagem de seus habitantes. Visitou a Igreja Matriz, Praça Pública, passearam pelas ruas observando vitrinas e depois rumaram à residência do compadre Aleixo.
Dona Cida recebeu-os com cordialidade oferecendo um cafezinho, prontamente aceito pelos visitantes. Sentados uma mesa, enquanto tomavam o café, o senhor Aleixo e Paulo conversavam com fervor. Dona Lena de outro lado, sem muito assunto, falava do sítio, sua querência.
-Sabe, Cida, moramos num lugar longe, mas muito bonito. As manhãs são maravilhosas e as tardes, então, nem é bom falar do nosso céu azul violeta e do crepúsculo colorido e encantador. Cedo, da cama, ouve-se esvoaçar pesado das galinhas e o cantar do galo, o mugir das vacas e, pelas frestas da janela, você pode ver o raiozinho de sol penetrar em casa. Temos tudo de bom e uma imensa fartura que nos faz feliz.
- Que bom, dona Lena! Nós aqui na cidade não temos nada disso, tudo que precisamos vamos buscar no mercado a troco de dinheiro; a vida aqui é difícil, tem ainda que pagar o aluguel da casa!
Após a café dona Cida, convidou-os a sentar na varanda enquanto o almoço era feito.
-Tenho um imenso prazer em convidá-los para almoçar com a gente, se vocês não se incomodarem com a nossa simples comida.
-Aceitamos, dona Cida! Eu, Paulo e Oscar ficamos muito agradecidos.
- O almoço está na mesa! Por favor, avise o compadre, nosso afilhado e Aleixo para sentarem à mesa porque o almoço está servido.
Sentaram todos, não faltando elogios à cozinheira, a comida feita com capricho aguçava os paladares.
-Paulo, vejo você uma pessoa tranquila com semblante descansado, conta-me o segredo!
-Sabe compadre, a vida na roça é dessa natureza, lá nós comemos bem, dormimos cedo, não há nada que nos assuste. O lugar é muito bonito, vivemos junto à natureza.
- Paulo, a vida aqui na cidade é muito cansativa, muita fofoca que me faz cansado.
- Compadre, você precisa de um descanso, estou oferecendo a minha casa para você e a comadre passarem uns dias com a gente, assim descansará e vai recuperar sua saúde.
-Ah! Paulo, é difícil sair daqui! Em todo caso se me der na teia, eu e a Cida qualquer dia aparecemos lá.
Terminado o almoço, os anfitriões saíram com os visitantes para mostrar a cidade e, à tarde, a família de Paulo voltou para o seu sítio, sua casa.
Passaram-se alguns meses. Numa tardinha, dona Lena avistou lá em baixo o caminho e duas pessoas vinham em direção a sua casa.
-Paulo! Paulo! Adivinha quem está chegando? Veja lá quem vem vindo!
-O compadre Aleixo e a comadre Cida.
-E não é que vieram mesmo?
-Vamos arrumar o quarto para eles descansarem.
Aleixo e Rita ao se aproximarem diziam.
- É mesmo um lugar lindo, tranquilo e reparador.
O casal foi recebido com cortesia, tomaram um banho, mudaram de roupa e em seguida foram convidados para o jantar. Lena era uma excelente cozinheira. O jantar fora servido com pratos preparados com ingredientes da propriedade. Todos os dias Lena abatia um animal para servir os visitantes. Assim, passados mais de um mês servindo os compadres, foram-se os cabritos, leitoas, patos marrecos, frangos e muitos vegetais produzidos na propriedade.
Um belo dia, uma chuva fina e penetrante caia mansamente e Lena, sentada na cozinha ao lado do fogão, indaga.
-Paulo, será que essa gente não se manca? Agora não vão mais embora! Já estão acabando todas as nossas reservas alimentares, daqui a pouco precisamos matar as vacas os cavalos e o burro para satisfazê-los.
-Você tem razão! Deixa que falarei com o compadre, se preciso for, abrirei o jogo. O que eles estão pensando?! Estão achando que somos trouxas? Não, não mais permitirei a presença deles aqui em casa.
À tarde Paulo senta-se na varanda onde Aleixo desfrutava da rede que balançava para lá e para cá, com uma brisa fresca tocando o seu rosto.
--Compadre Aleixo, fizemos o que pudemos para recebê-los em nossa casa, oferecemos toda a nossa reserva para dar um tratamento digno a vocês, mas peço que amanhã cedo desocupem o quarto, porque teremos a visita de meu irmão e eu preciso recebê-lo.
-- Pois é Paulo, falei para a Cida que já está na hora de irmos embora. Amanhã de madrugada entregarei o quarto e iremos embora.
No dia seguinte, Lena acorda mais cedo, vai até a porta do quarto dos visitantes, bate à porta.
--Compadre, comadre! Vocês pediram que eu chamasse de madrugada. Acorda! Está na hora, o galo já cantou.
Ainda deitado responde o compadre Aleixo...
-Comadre Lena, AINDA TEM UM GALO?






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