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Conto
 
John, Bob e Ted
Por: Marlene A. Torrigo

Eu tenho perguntado para muitas mulheres em quem elas votariam para próximo presidente do Brasil, se Lula ou Moro. Algumas dizem em nenhum dos dois, uma ou outra diz no Lula, e a maioria diz que votaria no Moro porque ele é lindo.
Lembro nitidamente das eleições para presidente em 1989, em que Fernando Collor de Melo venceu Luiz Inácio da Silva. E lembro que muitas mulheres votaram no Collor porque ele era lindo. Eu votei no Lula porque ele era feio. Mal, Collor ganhou porque era lindo. O mercenário surrupiou o meu lindo dinheirinho guardado com tanto carinho - que daria até para comprar um carrinho. A minha decepção foi tanta que nunca mais quis votar em candidato feio ou lindo.
Lembram-se de John Kennedy? Como ele era lindo! E os irmãos dele então?... Ted e Bob nada deviam a John em questões de lindeza.
Eu tive um cachorro vira-latas chamado Bob, que morreu adolescente, e agora tenho outro vira-latas chamado Ted. Os dois, claro, claríssimo, em homenagem aos irmãos Kennedy. Eu sempre dizia que meu próximo cachorro haveria de se chamar John, de tão lindo que eu achava o presidente dos Estados Unidos da América. Lindo e sem-vergonha. Mulherengo... Pobre Jacqueline Kennedy! - a esposa traída de John, que viúva casou-se com Onassis, armador grego, considerado à época o homem mais feio e rico do planeta.
Coisas de um destino brincalhão, a minha família inventou de adotar um novo gatinho. Mais preto do que carvão, deram-lhe o nome de John. Juro que eu não sabia! Fiquei sabendo há poucos dias, posto que eu nem olhava para o bichano, tão traumatizada fique com Tigre, meu outro gatinho de cinco meses, que morreu há três meses, dolorosamente doente, mui embora eu tenha gasto uma nota preta para que ele sarasse. Tigre aguentou grande provação como um pequeno mouro, mas sucumbiu. E eu quase enfartei, afinal gastei mil e quinhentos reais com o pobrezinho. Aí, depois dessa tragédia grega, certos adoradores de gatos aparecem com outro bichaninho. Quase enfartei de novo. John morre de medo de mim. Quando ele se aproxima de mansinho querendo carinho, digo-lhe asperamente que não quero intimidades. Ele chispa pra longe, olhando-me medroso, com cara de desamparado.
Eu hein! Quem o adotou que o cuide. E quem votar no próximo presidente feio ou lindo, que o assuma.
Encompridando um pouquinho a sátira, eu venho há anos adiando uma viagem à Brasília, a fim de conhecer o Palácio da Alvorada, aquele antro de corrupção, digo, aquele palácio fantástico projetado pelo célebre arquiteto Oscar Niemeyer. Aquilo ali deve ser um ninho de cobras, ratos, vespas, escorpiões... digo, um ninho de gente bonita, batalhadora e incorruptível.
(Como os meus dedos críticos me traem quando digitam!)


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