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Ensaio
 
Nona sinfonia
Por: Morena

Naquele tarde quente, em meio àquelas pessoas alegres e festivas, eu sentia tristeza e solidão. Sentia um intenso mal estar. Sabia que se permanecesse na festa o dique irromperia. Eu via pontos brilhantes brincando ante os meus olhos. Adoecera do nada. Ou do tudo. Ali, bem ali, em meio às comemorações na instituição que eu trabalho, minh'alma inventou de entrar em conflito com questionamentos da vida e da morte. Olhava as pessoas sorrindo e não sabia se elas eram parte de um sonho. Estariam vivas realmente? Estaria eu viva? Sonhava? O mal estar se me acentuou. A minha percepção enevoava. Sabia que precisava deitar para aliviar a pressão na cabeça. Quando os convivas seguiram para o discurso na sala de auditório a fim saber do andamento da instituição, esgueirando-me sai, fugi, evadi-me. Slides dos momentos da minha vida entraram em cena. Censurei-me por fugir à projeção da minha pusilanimidade. Entrei em casa. Não havia ninguém. Tomei dois copos de água com uma medicação e deitei no chão da sala, no tapete. A sensação de peso na cabeça diminuiu. A magia de deitar trouxe-me um agradável bem estar. Cerrei os olhos. Quando os descerrei os pontos brilhantes haviam sumido. A paz invadiu-me. Eu flutuava. Ri da minha covardia, de ter fugido da festa com tantas iguarias a serem servidas, mas eu entrara em estado de confusão por causa do diabetes. Liguei o som. Beethoven invadiu a harmonia da sala. Beethoven, o homem que criou luz na treva. Aprendi a ouvi-lo quando... Quando morreu algo em mim. Lembrando um fato triste, lágrimas inconvenientes escorriam-me pelos cantos dos olhos. Eu chorava sem estar chorando. Pedi calma ao meu coração. Relaxei novamente dando continuidade às páginas do meu destino até morrer-se-me ela, a vida, na última página. Meio que delirando, vi-me no finalzinho de um drama nebuloso no qual um anjo surreal me dizia aquilo que eu sei desde sempre, que tudo na vida é um sonho. Sim, um sonho que vive nas batidas do meu coração, que pulsa-me nas veias, que transcende nos meus sentidos, nas minhas fantasias. Ouvindo a Nona Sinfonia, rendida pelos acordes, adormeci enfim.

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