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Infantil
 
A MATA ENCANTADA
Por: Luiz Carlos Morete

Eram três meninas espertas. Na cidade eram conhecidas como as “três M”, porque se chamavam Manoela, Maria e Marta. Manoela, a mais velha, tinha oito anos, loirinha, olhos azuis muito vivos; Maria, a do meio, com seis anos, moreninha, irrequieta e Marta, a caçula, com quatro anos, a mais tranquila, mas não menos esperta, fechava a “escadinha”. Espertas mas muito simples. Viviam em um sítio e iam à escola todos os dias levadas pela mãe.
Naquele dia ao voltarem para casa notaram uma movimentação fora do normal no sítio. Manoela perguntou para a mãe:
- O pai vai mesmo derrubar a mata como havia dito?
- Vai sim. - disse a mãe. Já recebeu autorização para isso.
- Mas não podemos deixar! Ela é uma mata encantada! – retrucaram as três, ao mesmo tempo.
- Isso é invenção do povo, meninas. E o seu pai precisa de mais espaço para plantar, pois o que ele tem é pouco. – respondeu a mãe.
- Quando vão começar?- perguntaram.
- Amanhã cedinho.
Um ar de tristeza abateu-se sobre o semblante delas. Neste dia não quiseram almoçar e por mais que o pai insistisse não o fizeram. Mas a decisão já estava tomada.
A menorzinha, de repente, falou:
- Vocês já notaram como os animais da mata estão quietos hoje? Até parece que estão adivinhando!
- Coincidência. – disse a mãe.
As três resolveram então no fim da tarde dar uma volta perto da mata para se despedirem de tudo que ali existia. Sem perceberem foram entrando mata adentro, atraídas por um som e luz irresistíveis. O escuro da mata foi sendo substituído por uma luz de milhares de vaga-lumes que iam mostrando a elas ser um local encantado. Os animais ali existentes foram se aproximando como querendo a conversar com elas. Pedir socorro. Macacos, jaguatiricas, araras, outros tipos de pássaros, tatus, bicho preguiça, pendendo de sua árvore como que a pedir que não a derrubassem, o pica-pau, a coruja e outros animais e seus filhotes. E dentro da mata existia uma nascente de um riozinho, com água muito límpidas que ia ajudar a formar um grande rio da região. Uma água tão límpida que parecia não existir. E tudo isso estava sendo ameaçado.
Sem esperar as meninas foram surpreendidas pela coruja que chegou e lhes falou:
- Nós trouxemos vocês até aqui para pedir ajuda, pois sentimos que vocês gostam de tudo isso e não querem o nosso mal. Se os homens derrubarem essa mata que é nosso lar, não teremos para onde ir, ficaremos sem alimentos e morreremos. – justificou a coruja.
Ainda surpresas, pois não imaginavam que bichos “falassem”, responderam:
- Não sabemos o que fazer, os adultos não nos ouvem! Querem fazer tudo do modo deles. Não vão acreditar no que estamos vendo se lhe contarmos.
A jaguatirica entrou na conversa:
- Sabemos que não vai ser fácil. Mas devemos tentar, pois não temos para onde ir. Só vocês podem nos ajudar.
A reunião estava sendo feita. Uma verdadeira algazarra para tentar achar uma solução.
E na casa do sítio os pais das crianças, apavorados, não sabiam o que fazer. Só notavam que alguma coisa estava acontecendo na mata. Uma luz muito forte emanava de seu centro e não tinham explicações para o que estava ocorrendo. E as meninas tinham sumido. Sentiam uma angústia interminável.
Enquanto isso lá na mata a bicharada e as meninas “conversavam”. Manoela tomou a palavra e disse:
- Não sabemos ainda o que fazer. Nós amamos esse lugar e gostaríamos muito que fosse preservado. O que podemos fazer e conversar com nossos pais, mas eles não vão acreditar no que está acontecendo. Não vão acreditar em nós.
Todos os animais acercaram-se das três e disseram:
- Mas nós acreditamos em vocês. Temos uma surpresa para vocês. Confiem que tudo vai dar certo. Agora vocês têm que ir embora, pois seus pais já devem estar preocupados.
Despediram-se e foram saindo da mata, seguidas por milhares fé vaga-lumes formando uma extensa fila luminosa, clareando tudo. E foram saindo da mata.
Os pais a porta da casa surpreenderam-se ao verem tal coisa. Não acreditaram no que estavam vendo. Será que as meninas estavam certas? A mata seria encantada?
Assim que as meninas saíram da mata os vaga-lumes foram se movimentando no ar e começaram a formar uma palavra: “NÃO DESTRUAM.”.
As meninas correram para seus pais e falaram para eles:
- A mata é encantada, não a destruam!
Os pais, surpresos e sem saber o que falar, pois não sabiam se estavam sonhando ou não. Por um momento perderam a voz.
Os vaga-lumes e suas luzes foram se apagando até que a escuridão e o silêncio tomaram conta do lugar. Silencio. Nem um barulho se ouvia.
As meninas voltaram a falar e pediram novamente:
- Deixe a mata no lugar, Os animais precisam dela.
O pai, sem saber o que pensar falou:
- Vocês têm razão. Não vale a pena destruir a mata. Acrescentaria tão pouco ao que planto que vou deixar como está. Amanhã cedo vou dispensar os trabalhadores e dizer que pensei melhor e vou deixar a mata como está. Está certo assim? Estão contentes?
- Pai, é o melhor presente que podíamos ganhar. Obrigado.
No dia seguinte, bem cedo, todos acordaram com o barulho dos animais que vinha lá da mata. Deviam estar comemorando a preservação do seu lar.
As crianças são a esperança do mundo, pois são sábias e sinceras.

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