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Luiz Carlos Santos Lopes
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Resenha
 
O Manifesto do Partido Comunista
Por: Luiz Carlos Santos Lopes

Luiz Carlos Santos Lopes
Sugiro a quem tem afinidade com a esquerda a leitura de o (Manifesto do Partido Comunista /Karl Marx /c Friedrich Engels; tradução de Sueli Tomazzini Barros Cassal – Porto Alegre: L&PM, 2002. 132p.) cujo livro remete à diferença entre a dialética de Hegel (1770-1841) e a de Karl Marx (1818-1883). Para Hegel, a dialética não é o mesmo que debate; sim, uma forma de encontrar a verdade através de uma tese, que dá origem à ideia oposta, a antítese, chegando-se a uma síntese – que contém a verdade. Marx aplicou a proposta de Hegel na história porque enxergava a luta de classes como parte de um processo dialético. Daí fez uma adaptação semântica da tríade hegeliana segundo a qual a tese, era o liberalismo burguês; a antítese, a revolta proletária. E a síntese, o comunismo. Leandro Konder, na mesma linha de raciocínio,vai além e diz: “(...) "Marx promoveu a modificação do concito hegeliano de dialética, na medida em que promoveu o casamento dele com uma perspectiva revolucionária, comprometida com um projeto político de transformação prática do mundo." (Konder, Leandro. 1936 - A Derrota da Dialética: a recepção das ideias de Marx no Brasil, até o começo dos anos 30 - 2.ed. São Paulo: Expressão Popular, 2009. p.31).
Tais pensamentos estão formulados também no Manifesto do Partido Comunista, cuja declaração de princípios e intenções sugere que “(...) entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista, há o período de transformação revolucionária da primeira na segunda. A esse período, de acordo com Marx, corresponde também um período de transição política em que o Estado não poderá ser outra coisa que a ditadura revolucionária do proletariado.” (O Pensamento Vivo de Marx, Martin Claret Editores, 1985, São Paulo-SP, p. 86).
Não obstante a tais enunciados Marx e Engels fazem ilações premonitórias sobre o avanço vitorioso do capitalismo como revela outro trecho do Manifesto. “(...) O capital, aliado à incipiente revolução tecnocrática, começa sua caminhada vitoriosa” e, como observa Florestan Fernandes, “(...) a verdadeira revolução cresce juntamente com a modernização e a internacionalização do capital” (Nós e o Marxismo, Fernandes Florestan. 1.ed –São Paulo: Expressão Popular, 2009. 64 p.). “A marcha da história mostrou, portanto, que também esses pensadores trilhavam o caminho das utopias. O capital migrante e avassalador e a revolução tecnocrática destronaram não só o proletariado, mas inclusive s própria ideia de trabalho, hoje um bem em vias de rarefação. No limiar do terceiro milênio, o sonho coletivista naufragou, e o resto, como observa Roger Scruton, “são ruinas da soberba moral fornecida pela ideologia, do desprezo pelas instituições democráticas e do fascínio pela violência.” (Veja, ed. 2.407, 7/01/2015).
Mas vale lembrar, juntamente com o Manifesto Comunista dos sonhos remanescentes de toda uma tradição política ocidental que acreditou nos seus propósitos. Sou um exemplo. Na adolescência fui acometido pela doença juvenil do esquerdismo e também andei, utopicamente,“ em busca dos amanhãs que encantam”(id. ibid., p. 5) frase de abertura daquela obra. Ainda bem que acordei em tempo. O que não acontece com a ala mais anacrônica da esquerda, que não se dá conta que o “comunismo está morto. A União Soviética e a maioria dos estados e sociedades construídos segundo seu modelo, filhos da Revolução de Outubro e 1917, que nos inspiraram, desmoronaram tão completamente, deixando atrás de si um panorama de ruína moral e material, que hoje em dia deve ser evidente que desde o início essa empresa continha as sementes do seu fracasso”. (Hobsbawm, Eric, 1917 – Tempos Interessantes: uma vida no século XX; tradução S. Duarte – São Paulo: Companhia das letras, 2002, p. 148). Outro erro comum hoje em dia é praticado pelo Partido dos Trabalhadores, que não enxerga que “( ...) a Comuna, sobretudo, provou que a classe operária não pode limitar-se a apoderar-se da máquina do Estado, nem colocá-la em movimento para atingir seus próprios objetivos” (id.ibid, 2001, p. 13-14). Vale lembrar Roberto Campos, cuja imagem a esquerda queria ridicularizar usando uma deformação de palavras originadas do diminutivo em inglês do nome Robert (Bob) e de Campos (Fields) de que surgiu a chistosa alcunha “Bob Fields”, cujo termo, adulterado em sua essência, era usado como sinônimo de conservador entre os jovens de esquerda da década de 1960. O facecioso apelido tinha o propósito de confrontar as ideias de Campos pela sua posição anticomunista e ligação com o capitalismo dos Estados Unidos.
Hoje, vejo quanto ele estava certo. Sobretudo quando deu o troco àqueles que o ridicularizavam com esta peça antológica da sua lavra intelectual: “é divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de esquerda. Admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três coisas que só o capitalismo pode dar: bons cachês em moeda forte; ausência de censura; e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa transa adúltera com a Coca-Cola” (Esquerda Caviar, p. 13). Verdade incontestável! Basta um olhar crítico sobre essa turma que se diz de esquerda para constatar a procedência de tal enunciado.
Campos vai além e continua dando o toco à esquerda festiva. Diz ele: “ideal e realidade são os dois polos extremos entre os quais se tenciona a condição humana. E a falta de algum deles é mutilante. Por acaso alguém sabe quanto Chico Buarque cobra para se apresentar? Ou alguém acredita que ele faz shows de graça? Para mim, ele gosta é de “bons cachês em moeda forte”. Mas não cabem críticas só a Chico. Existem outros, a exemplo dos “mensaleiros” e da turma da “operação lava-jato” que foram condenados por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro – olha o capital de novo aí, minha gente! Roberto Campos tinha razão, essa turma gosta mesmo é de dinheiro e de enganar os tolos que não sabem raciocinar e têm contra si o instinto de rebanho e a consciência. E Campos conclui: “ A burrice no Brasil tem um passado glorioso e um futuro promissor”. Alguém discorda?
Jornalista – FENAJ-DRT 2482-Salvador-Ba.

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