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Resenha
 
GOTO, o Novo Romance de Silas Correa Leite
Por: Silas Correa Leite


GOTO O ROMANCE DE SILAS CORREA LEITE

No tecido banal de nossos pobres destinos
É que à nossa alma, coitada, falta ousadia
Charles Baudelaire

Quando alguém diz que o Cyberpoeta e Professor Silas Correa Leite escreve muito, é porque não sabe que ele escreve desde os 16 anos em jornais de sua aldeia natal, Itararé, sua 'Neverland'; tem mais de mil cadernos de rascunhos poéticos (de 200 pgs cada um) – reportagem no Metrópolis TV Cultura, SP, e na Minha Revista RJ - está em mais de oitocentos sites com os mais variados assuntos (poemas, contos, ensaios, artigos, resenhas, etc), até na América espanhol, na Europa e na África, tem prêmios importantes de renome, até no exterior, como Instituto Piaget, Lisboa, para não dizer que consta em mais de cem antologias literárias em verso e prosa, inclusive internacionais. E não apenas escreve muito, mas escreve muito bem, surpreende, polemiza, inventa tanto que já disseram: “Ninguém que é humano pode escrever isso”. Pois ele escreve.
Lançou até então vinte livros. Quando algum brincalhão cobra “Quando é que um livro seu vai explodir?”, ele responde do mesmo jeito, brincalhão e irônico: “Quando eu fizer um livro-bomba”. Silas está além de seu tempo, vai além de seu tempo, por não ser midiático, por assim dizer, e estando em mais de oitocentos sites como Observatório de Imprensa, Cronópios, Correio do Brasil e outros, é que foi tachado pelo site Capitu de ‘O Rei da Internet’. Algumas cabeças pensantes do mundo, inclusive do Brasil, só foram reconhecidas depois que morreram. Pois Silas possivelmente pode vir a ser mais um desses. Na Internet ele já domina e virou referência, como disse o Portal Imprensa/TV Cultura. Está em todas as redes sociais, quase cinco mil seguidores no Facebook. Você o procura na web e vai vendo do YouTube ao Orkut, do Twitter a tantos links, com twitterpoemas, twittercontos, ironias do link Silas e suas ‘siladas’ a pensadilhos (pensamentos trocadilhos) e pensagens (pensamentos mensagens, para não dizer de pensaversos e pensaVentos entre tantos neologismos weblustrais de alto nível inclusive criativo, que ele inventa de inventar, dizendo que do jazz nasce a luz.
Sua maior obra até então, tinha sido O RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, onze contos fantásticos, cada conto com três finais, um final feliz, um final de tragédia e um terceiro final politicamente incorreto, destaque na chamada grande mídia por ser pioneiro, de vanguarda e único no gênero, entrevista ou reportagem em programas de TV como Márcia Peltier/Band/Jornal da Noite e Provocações, TV Cultura, entre outros, acabando por ser uma referencia em ebook que virou tese de mestrado e de doutorado. Depois ele lançou outros ebooks e mesmo livros impressos, a se destacar Porta-Lapos, Poemas, Campo de Trigo Com Corvos, contos premiados, O Homem Que Virou Cerveja, crônicas hilárias de um poeta Boêmio (Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia), e Desvirados Inutensílios, Poemas, Editora Multifoco, 2013, RJ, todos elogiados pela critica e com sites referendando-os e elogiando a surpreendente criatividade e o talento do autor.
Mal saiu deste lançamento que foi destaque na Feira de Literatura Itarareense, e lança agora o romance Goto; GOTO, A Lenda do Reino do Barqueiro Noturno do Rio Itararé, Editora Clube dos Autores, SP, e é sobre esse livro que já nasceu clássico que queremos falar. Goto, o masculino de gota, que, além do nome criativo, como sempre, tem tudo para vir a ser a melhor obra do autor a partir de então. Parece que Silas, a partir da batalha de Itararé, uma ‘histórica batalha que não houve’, resolveu colocar Itararé na consciência do mundo, e o Goto parece colocar também o rio Itararé com uma sua terceira margem idílica, a partir deste Goto, um épico.
Numa ótima narrativa bem situada territorialmente e em tessitura de prosa poética, personagens bem construídos e que vão se revelando em aspectos psicológicos e formadores aos poucos, o autor, na parte inicial apresenta o palco iluminado do circo historial todo do território-rio e suas beiras e margens, pântanos e brumas. E o personagem principal, Ari, que se autonomina Goto, vai contando histórias que colhe dos passageiros do rio e suas travessias, causos que não são desse mundo; e de seus passageiros navegantes de outras margens, almas penadas de outras dimensões. Causo por causo, história por "estória", papos de bar, do passado, presente e futuro, como se ali fosse uma transversal do tempo, uma encruzilhada-rio, e assim, o menino deficiente físico faz do remo a sua muleta, ou de sua muleta de aleijado o remo, em que, com seu andar de segura peido, seu calcanhar de frigideira, vai saltando pocinhas-histórias, voando nos remos, nas asas do rio, na própria imaginação-rio. Silas arrasa. Um romance e tanto. À venda como ebook e impresso por demanda no site WWW.clunbedosautores.com.br, Silas, mais uma vez traz Itararé ao centro de tudo, tudo é lá, tudo é Itararé, como se lá, sua ‘Neverland’ (Terra do Nunca), acontecesse coisas do arco da velha. Contador e navegante, Goto entra no ramo da história e navega em águas fartas, singrando por aí o romance.
Passageiros que já estiveram aqui, e o menino-navegador que tem o dom também espiritual-fantástico de fazer as pessoas contarem tudo para ele, começa a trazer moedas de outras paragens, de outros tempos, de épocas de Debret e Saint Hilaire no Brasil e na região de Itararé, que você não sabe qual é o rio e qual o personagem principal, mas vai, evoca, se aprofunda nas correntezas, mas sabe o rio criativo que o autor pincela no romance, cantando sua terra, seu rio que é o mais belo rio que corre por sua aldeia, seu Tejo tropical, particular e infinitamente lírico e, no caso, enlivrado em grande proporção de grande livro.
O guri-ribeirinho, com suas mãos de pardal, suas mãos de água e sua alma-rio, adoece e vem visitas do tempo do imperador, de escravos a bandas de circos franceses antigos (almas de antigos naufrágios?), quando começa a colecionar moedas de gorjetas de uma outra época, como se achasse uma ponte de ouro no fim do arco-íris. E vai por aí o romance em sua narrativa que cativa, abduz, como se o atiçado leitor também tivesse nos finca pés da Canoa Faísca de Aladim, inventariando também as mil e umas noites do menino feito um Goto-Sherazade.
Fica a recomendação de leitura. Entre nesse barco-livro. E bem de sua natureza-criação.
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Lucia Camargo Mariano, Midia Independente
E-mail: La-goeldi@bol.com.br


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