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Luiz Carlos Santos Lopes
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Resenha
 
“Corrupção tem remédio?”
Por: Luiz Carlos Santos Lopes

Luiz Carlos Santos Lopes
O jornalista Newton Sobral, em março de 2009, escreveu o artigo com o título acima no jornal (A Tarde, Opinião, p. 3, em 5/3/2009), no qual me baseei para escrever esta resenha. No texto, Sobral se referiu às denúncias do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB/PE) sobre o festival de corrupção praticado por políticos do PMDB naquele ano, e disse não acreditar que a decomposição moral que se instalou no país tenha fim enquanto não houver a mão firme do Estado e o envolvimento da população para combatê-la.
A corrupção não existe somente no Brasil, disse o articulista, ela é um mal comum a todos os países. A diferença, segundo ele, é que lá fora os governantes se empenham em combatê-la e o corrupto sabe que vai parar na cadeia. No Brasil, não. Por aqui falta mais empenho do povo para cobrar da esfera política leis que o protejam contra a leniência da legislação brasileira. O escândalo da Butique Daslu, promovido por sua proprietária, Eliana Tranchesi, é um exemplo do abrandamento das leis do nosso país. Condenada a 94 anos e seis meses de prisão, por importação fraudulenta com o objetivo de sonegar impostos, a empresária foi detida no dia 26 de março de 2009; no outro dia, 27 de março, ela saiu da cadeia, de carro... Sorrindo!
O ministro Celso de Melo, do Supremo Tribunal Federal, em 22/10/2012, quando do seu voto no julgamento da Ação Penal 470 (conhecida como mensalão) usou a expressão latina “Societas delinquentium”, cujo significado é sociedade de delinquentes, para se referir aos envolvidos naquele que é considerado o maior escândalo de corrupção da história brasileira patrocinado pelo Partido dos Trabalhadores e seus seguidores, sem que o então presidente Luis Inácio da Silva nada soubesse. Nem o mais cândido dos ingênuos acredita em sua inocência nesse triste acontecimento, afora os eleitores que não gostam de raciocinar. Sobre o assunto, o professor Luiz Antonio Sacconi afirma que, “quem não quer raciocinar é um fanático; quem não sabe raciocinar é um tolo...”. (Nossa Gramática, Atual Editora, p.193).
O eleitorado (a grande maioria) só tem uma preocupação: eleger os candidatos a cargos executivos – presidentes, governadores e prefeitos e neles depositar toda a sua confiança e por eles brigar falar mal, matar, morrer, festejar – como torcedores de times de futebol. A fé cega o leva a acreditar nas promessas mirabolantes que, logo cedo, se transformam em desenganos. E o ciclo dos falsos profetas e seus ingênuos seguidores recomeça em cada campanha eleitoral: novas promessas, novas desilusões, e por aí vai. É hora de parar e pensar. O eleitor, como diz Sobral, tem que se envolver mais no combate à corrupção. Basta não se deixar iludir nem abandonar a prudência na hora de votar – para evitar novas frustrações. Também não pode se preocupar em eleger apenas os candidatos ao Poder Executivo.
Tem que escolher também, e muito bem, antes de votar, os candidatos ao Poder Legislativo – senadores, deputados federais, deputados estaduais, e vereadores. São eles quem, de acordo com a Constituição Federal, fazem as leis, fiscalizam o Poder Executivo, aprovam ou desaprovam seus projetos políticos. Sem o Poder Legislativo, nenhum presidente, governador ou prefeito pode transformar em realidade aquilo que prometeu.
Por tudo isso, há que existir consciência política do eleitor. Não só na hora de ir às urnas registrar o seu voto. É fundamental que depois ele acompanhe, cobre e fiscalize as ações daquele em quem votou e elegeu para evitar as falcatruas, a corrupção desenfreada e a desfaçatez que tomaram conta da esfera política brasileira em todos os níveis. Se as autoridades constituídas não desenvolvem mecanismos para prevenir a corrupção, que a população o faça.
E o voto é uma arma poderosa para combater nesse campo minado. O eleitor, hoje em dia, dispõe de recursos que lhe permitem ser um observador político privilegiado, sem se deixar levar por promessas vãs, ao contrário de outros tempos, quando ficava de fora, sem saber o que se passava nos bastidores da política, sem ter como cobrar as promessas de campanha, tampouco saber se o seu candidato participava ou não de atos indecorosos. Agora, não. O eleitorado tem ao seu dispor vários instrumentos para o exercício da cidadania.
Modernas tecnologias da informação (Internet, e-mails, Twitter, Blogs, e por aí vai) na tela do seu computador. Através de tais mecanismos, ele sabe de tudo o que se passa no Brasil e no mundo, podendo, daí, tirar suas próprias conclusões sobre a conduta desse ou daquele político a quem confiou (ou vai confiar) o seu voto – sem intermediação de repórteres. Além desses meios, existem os dois canais de televisão da Câmara e do Senado, duas valiosas ferramentas de que o eleitor pode se valer para conhecer as atividades do seu candidato no Congresso Nacional.
As duas televisões (também sem intermediações de repórteres) focam tanto os bons, quanto os maus políticos, fato que facilita o questionamento do eleitor na hora de votar, ajudando-o a separar o joio do trigo. O eleitor, portanto, tem à sua disposição esses caminhos para voltar a sonhar o sonho que a corrupção acabou e, quem sabe, tornar a acreditar na atividade política brasileira. Pelo menos naqueles que não compactuam as distorções morais dos que fazem da corrupção uma norma de conduta, e da falta de ética um meio para atingir propósitos inconfessáveis.
Votar consciente, portanto, já é um bom começo. Como diz a jornalista Dora Kramer, o momento é de ter “a ousadia de tudo repensar para não repetir os erros do passado”. Portanto, se excluirmos da vida pública quem troca de partido, quem recebe propinas, quem discursa sem dizer nada, quem apoia os presidentes de plantão em troca de favores, quem vota leis em benefício próprio, quem emprega parentes, quem rouba dinheiro público, quem faz parte da “bancada do silêncio”, quem prefere a penumbra para encobrir negócios escusos, quem tem “ficha suja”, e tantas outras falcatruas, vamos contribuir para livrar o país dessa gente que insiste em se manter atuante, manchando a imagem da nação e envergonhando o nosso povo.
Jornalista/Fenaj- DRT 2.482-Salvador-Ba

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