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Luiz Carlos Santos Lopes
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Resenha
 
Tempos Interessantes: Uma Vida no Século XX. do historiador inglês Eric Hobsbawm, em cujas páginas aqueles que se dizem de esquerda deveriam buscar inspirações.
Por: Luiz Carlos Santos Lopes

Luiz Carlos Santos Lopes
Nem sempre os fatos históricos são narrados como realmente aconteceram. Os relatos ficam quase sempre submetidos aos interesses das elites dominantes. O historiador britânico, Eric Hobsbawm, em seu livro Tempos interessantes, foge a essa regra e descreve os acontecimentos mais marcantes do passado, não com a visão de quem os estudou em livros didáticos, ou em academias, mas de quem os vivenciou e pôde assistir às crises financeiras e políticas do seu tempo – a ascensão de Hitler, a Segunda Guerra Mundial, a Guerra Fria, a rebeldia dos anos 60, a situação política e social da América Latina, o fim do império soviético e o despontar dos Estados Unidos como superpotência hegemônica.

Marxista heterodoxo, sempre atento às desigualdades e injustiças sociais, Hobsbawm viu o seu sonho desmoronar com o fracasso da Revolução Russa. Em sua opinião, um movimento que desviou todo o ideário daqueles que acreditaram em seus propósitos para uma ditadura sangrenta do proletariado, sob o comando de Stalin, cujos desmandos só vieram à tona através do relatório Kruschev, em 1956.

Para o historiador “[...] o bolchevismo transformara em superpotência um regime fraco num país imenso porém atrasado”. Embora desapontado, ele não abandonou as posições que assumiu durante toda a sua trajetória intelectual, através das quais vem buscando refletir sobre os fatos passados, à procura de explicações para melhor compreender o presente, sem, contudo, deixar de ser um pessimista quanto ao futuro - que lhe parece incerto.

Apesar de ser um comunista Hobsbawm enxerga a política internacional de maneira isenta e racional. De um lado, faz criticas a Marx e Engels porque os dois, em sua opinião, sabiamente se abstiveram de descrever como seria a sociedade comunista, ou a sociedade ideal do futuro. De outro lado, Hobsbawm reconhece a produção social de abundância quase ilimitada e o miraculoso progresso tecnológico promovidos pelas sociedades capitalistas. Ele não tem a visão obtusa daqueles que ainda não se deram conta que a velha dicotomia “esquerda” e “direita” não faz mais parte dos discursos políticos do mundo contemporâneo.

Hobsbawm é o que se pode chamar de um sonhador obstinado, mas com os pés no chão. Mesmo sabendo que o comunismo está “morto” e que a União Soviética e a maioria dos Estados e sociedades construídos segundo seu modelo desmoronaram completamente, deixando atrás de si um panorama de ruína moral e material, ainda assim ele insiste lutando e alertando contra a injustiça social, denunciando onde quer que ela exista. O mundo não vai mudar sozinho, diz ele. “A vinda do socialismo não eliminará todos os pesares e tristezas, amores infelizes ou luto, e não resolverá nem tornará solúveis todos os problemas [...]”.

Valiosas lições podem ser tiradas do seu livro. Uma delas é a constatação que o capitalismo global e o poder das grandes corporações tomaram conta do mundo, determinando o discurso e o raio de ação de qualquer governante – seja ele quem for. Outra é que a atividade política é dinâmica e está sempre aberta a novas transformações, como percebeu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ainda que frustrando setores mais fanáticos da sociedade, que, por desacreditarem na sua capacidade de resolver os problemas brasileiros, lhe fizeram ferrenha oposição até quando o presidente começou a promover as mudanças prometidas durante a campanha – as quais, de fato, colocaram o país nos trilhos.

Obs: esta resenha foi publicada no Centro de Mídia Independente, www.midiaindependente.org, em 06.01.2004.

Jornalista FENAJ-DRT 2.482 – Salvador-Ba.

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