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João Tatuzão, o Carrasco do Povão
Por: Jorge Linhaça

João Tatuzão, o Carrasco do povão

Duas coisas se encontram
Nesta Salvador amada
Buracos que amedrontam
E centenas de lombadas

Lá nas bandas da Ribeira
Vejam só que ironia
Buracos viram lombadas
Da noite para o dia

Tapar buracos? Quem dera!
Tome areia e cascalho
Asfalto é uma quimera
Faz o povo de otário

As lombadas sem padrão
Umas altas e fininhas
Tinta de sinalização?
Nem pensar, todas pretinhas

Umas distam cinco metros
da próxima a te alcançar
Depois buracos homéricos
Pra tentar se desviar

E o João Tatuzão?
Ninguém sabe ninguém viu
Dormindo em sua mansão
Ou na puta que o pariu

Prefeito mais displicente
é difícil de encontrar
Pois que se importa somente
Com a faixa à beira mar

O resto que se afogue
Nas enxentes de Salvador
Ou salvação a Deus rogue
Com muita fé e fervor

Toda obra e aparato
Já tão poucas e tão raras
São de cavar mais buraco
O tatu e suas garras

Falei com um funcionário
Tapando os buracos fundos
e ele disse que asfalto
Só vem na copa do mundo

E o prefeito imperfeito
Finge que nada o afeta
Pois o maior dos seus feitos
É ser clone do pateta

Nada aqui se acaba
O metrô virou piada
Mais de dez anos e nada
Nenhuma estação terminada

As ruínas da cidade
Por todo canto espalhadas
Foram já com muito alarde
Devidamente tombadas

Ninguém lhes pode tocar
Sem preservar as fachadas
De muitas só o que resta
São paredes condenadas

Fica então a pergunta:
De que vale o tombamento?
Para por em risco a vida
E causar mais sofrimento?

A casa de mestre Gregório
Grande poeta barroco
Sem ter um fim meritório
Só serve mesmo a uns poucos

Igreja da Boa Viagem
Donde parte a Galeota
Jaz fechada e sem coragem
De lhe abrirem as portas

O estuque lá despenca
no passeio ao seu redor
Haja rezas e novenas
Pra evitar o pior

Ah, Cidade da Bahia
Como Gregório a chamou
Centos anos mais um dia
E quase nada mudou

Os pretos, pobres e putas
Cada vez mais açoitados
Todo dia é uma luta
Pra conseguir uns trocados

Já os nobres e barões
Os perpétuos abastados
Dão sumiço em milhões
E nada lhes é cobrado

Na cidade do Axé
Capital da Alegria
Inda há muito Coronél;
Muita barriga vazia

O turismo enriquece
Meia dúzia e nada mais
Enquanto o povo padece
Nas garras do satanás

Ah, prefeito tatuzão
Ponha a mão na consciência
Se ainda a tiver e se não
Ao menos tome tenencia

Levanta e vai trabalhar
Dê um giro na cidade
Pra quem sabe encontrar
Sua alma no arrebalde

Tome vergonha na cara
No fim deste seu mandato
Recolha as suas garras
E vá trabalhar de fato.

Perguntinha básica:
Fazer lombadas é mais barato que tapar buracos?
Ou o faz-me rir é mais tentador?

Salvador, 7 de dezembro de 2011

contatos com o autor
anjo.loyro@gmail.com

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