- VOZES
Vivemos num mundo de muitas vozes, de ruídos e de barulho
mesmo, nem sempre distinguimos uns dos outros, nem sempre
ouvimos todos eles ao mesmo tempo.
As pessoas estão o tempo todo nos dando conselhos, solicitados
ou não, na maioria das vezes não solicitadas, nem as pessoas,
nem os conselhos.
Vivem palpitando como se fossem perfeitas e dizendo o que
acham ou deixam de achar a respeito de nossos movimentos e
atitudes, não precisam nem te conhecer muito bem, elas saem
falando da sua vida sem se darem conta que estão, na verdade,
falando si mesmas.
São irritantemente insistentes em apontar seus erros, de rirem
da sua desgraça, de acharem pouco o que para você é um esforço
sobre-humano.
Num mundo tão barulhento, não é de se estranhar que percamos
o contato com a nossa voz interior; às vezes é porque perdemos
a fé em nós mesmos e deixamos de acreditar nessa voz e às
vezes é por que de tanto tentar ouvir o caos do mundo,
passamos a não saber mais quem esta falando a verdade.
Ainda existe a possibilidade de não querer ouvir a uma
auto-condenação, a não querer admitir que tudo saiu do
controle de novo, a achar que a bengala é mais potente que
suas próprias pernas.
Resta-nos a intuição que é a voz interior que permite
descobrir qual o verdadeiro caminho naquele momento. Sim, pois
não há um caminho verdadeiro para todos os momentos, não
existe um mapa, um manual, nada.
Deus escreve certo por linhas tortas, nunca parei para pensar
que é por que não existe uma linha reta até seu destino final.
É a vida que é torta, mas ele vai estar lá sempre certo e
pronto para te amparar.
É preciso ter intuição para saber discernir qual a via mais
adequada para cada situação; intuição no sentido filosófico
(Conhecimento claro, direto, imediato e espontâneo da verdade)
e no sentido popular (Sexto sentido que, segundo o ocultismo,
se acha em processo de desenvolvimento no homem e que lhe
permitiria ver sem olhos, ouvir sem ouvidos etc.).
Pode até ser difícil resistir à tentação de seguir os caminhos
que os outros dizem pra gente seguir, afinal temos cinco
sentidos para nos unir aos outros e apenas um, pouquíssimo
desenvolvido para saber o que fazer nessas horas de pane.
Parece ser mais confortável viver a vida a partir de regrinhas
de como fazer e de como agir e é mesmo, se não for mais
confortável, pelo menos é mais fácil, basta decorar, não
precisa aprender.
Entretanto, as respostas que eu busco só poderão ser
encontradas em meu próprio interior, minha verdade é pessoal e
intransferível, agradeço os conselhos, mas guardem-nos para
si.
Se preocupem se quiserem, não posso impedi-los de fazê-lo, mas
vou de encontro a minha vida, vou viver comigo e para mim por
uns tempos.
Não que eu vá deixar de conviver com pessoas, ter amigos,
visitar familiares, mas entendam minha necessidade de não
ouvi-los e nem de ter que assumir a verdade de vocês, isso não
deu certo.
Vou buscar ajuda sim, mas dessa vez dentro de mim para
aprender a percorrer o caminho com minhas próprias pernas, sem
precisar de bengalas.
Michele Guimarães Barbosa
|
|