A casa dos grandes pensadores
 
 

MICHELE GUIMARÃES BARBOSA

 

VOZES

Vivemos num mundo de muitas vozes, de ruídos e de barulho mesmo, nem sempre distinguimos uns dos outros, nem sempre ouvimos todos eles ao mesmo tempo.
As pessoas estão o tempo todo nos dando conselhos, solicitados ou não, na maioria das vezes não solicitadas, nem as pessoas, nem os conselhos.
Vivem palpitando como se fossem perfeitas e dizendo o que acham ou deixam de achar a respeito de nossos movimentos e atitudes, não precisam nem te conhecer muito bem, elas saem falando da sua vida sem se darem conta que estão, na verdade, falando si mesmas.
São irritantemente insistentes em apontar seus erros, de rirem da sua desgraça, de acharem pouco o que para você é um esforço sobre-humano.
 Num mundo tão barulhento, não é de se estranhar que percamos o contato com a nossa voz interior; às vezes é porque perdemos a fé em nós mesmos e deixamos de acreditar nessa voz e às vezes é por que de tanto tentar ouvir o caos do mundo, passamos a não saber mais quem esta falando a verdade.
Ainda existe a possibilidade de não querer ouvir a uma auto-condenação, a não querer admitir que tudo saiu do controle de novo, a achar que a bengala é mais potente que suas próprias pernas.
Resta-nos a intuição que é a voz interior que permite descobrir qual o verdadeiro caminho naquele momento. Sim, pois não há um caminho verdadeiro para todos os momentos, não existe um mapa, um manual, nada.
Deus escreve certo por linhas tortas, nunca parei para pensar que é por que não existe uma linha reta até seu destino final. É a vida que é torta, mas ele vai estar lá sempre certo e pronto para te amparar.
É preciso ter intuição para saber discernir qual a via mais adequada para cada situação; intuição no sentido filosófico (Conhecimento claro, direto, imediato e espontâneo da verdade) e no sentido popular (Sexto sentido que, segundo o ocultismo, se acha em processo de desenvolvimento no homem e que lhe permitiria ver sem olhos, ouvir sem ouvidos etc.).
Pode até ser difícil resistir à tentação de seguir os caminhos que os outros dizem pra gente seguir, afinal temos cinco sentidos para nos unir aos outros e apenas um, pouquíssimo desenvolvido para saber o que fazer nessas horas de pane.
Parece ser mais confortável viver a vida a partir de regrinhas de como fazer e de como agir e é mesmo, se não for mais confortável, pelo menos é mais fácil, basta decorar, não precisa aprender.
Entretanto, as respostas que eu busco só poderão ser encontradas em meu próprio interior, minha verdade é pessoal e intransferível, agradeço os conselhos, mas guardem-nos para si.
Se preocupem se quiserem, não posso impedi-los de fazê-lo, mas vou de encontro a minha vida, vou viver comigo e para mim por uns tempos.
Não que eu vá deixar de conviver com pessoas, ter amigos, visitar familiares, mas entendam minha necessidade de não ouvi-los e nem de ter que assumir a verdade de vocês, isso não deu certo.
Vou buscar ajuda sim, mas dessa vez dentro de mim para aprender a percorrer o caminho com minhas próprias pernas, sem precisar de bengalas.

Michele Guimarães Barbosa
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  19/09/2008