Uma carta a José Dirceu
Caro José Dirceu, sempre acreditei que complicar as coisas é
próprio dos idiotas e dos canalhas. Quanto mais complexas as
regras do jogo, maiores se tornam as possibilidades das mesmas
serem burladas. Simplificar é uma característica dos gênios. A
grande revolução de que este país necessita é a da
simplificação. Buscar o simples não significa pactuar com o
simplório. É necessário modificar a gramática portuguesa para
que escrever corretamente no próprio idioma não seja apenas
mais um privilégio das elites dominantes. Um idioma muito
complexo trunca o pensamento e interrompe o raciocínio lógico,
prejudicando a fluição natural das idéias. Nada justifica um
estudante passar a vida toda aprendendo a língua pátria e sair
da faculdade sem conhecê-la completamente. É uma perda de
tempo, pois o mundo atual exige dedicação a conhecimentos
diversos, com aplicabilidade maior e mais afinados com as
necessidades do Brasil e do povo brasileiro. Costumo dizer que
burocrata bom é aquele que apenas coça o saco...quando
resolvem fazer alguma coisa para justificar o salário
percebido, o povo que se cuide! O chamado super simples, nas
mãos desta gente, virou super complicado. São tantas as
regras, são tantas as amarras, que o sistema evidentemente
não vai atingir o resultado esperado que é tirar da
clandestinidade milhares de pequenos empreendimentos
espalhados por este país... toda lei, quando estabelece uma
série interminável de diferenças e de exceções, pode continuar
legal, mas torna-se completamente injusta. É indispensável que
se busque permanentemente simplificar as coisas neste país:
idioma, tributação, aparato legal, a forma do governo se
relacionar com seus cidadãos. Afinal, transparência e
simplicidade não fazem mal a ninguém...ou fazem?