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O AVESSO DO VERSO
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Escrevo porque nada me detém se sou só
Somente as palavras aliviam a minha dor
A dor da solidão, mais sólida que o não
Dito por alguém a quem um dia se amou
Em vão
Escrevo porque sei que o inverso é pior
O silêncio me corrói se não me expresso
E confesso a mim mesmo meus pecados
Logo, enquanto envelheço, me descubro
Sem cuidados
Escrevo porque não sei fazer outra coisa
Que me venha do fundo da alma inibida
Dividida entre o racional e a utopia
Para gerar as frases que aborto nascidas
Da agonia
Escrevo porque tudo é vago nessa vida vã
E vagando pelo tempo que ainda me resta
Resta-me um verso mais avesso por fazer
E vibrar ao me sentir pleno e presente
Para ser
Heldemarcio Ferreira
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
11/04/2005

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