A casa dos grandes pensadores
 
 
 

HELDEMARCIO FERREIRA

 

 

 

Manifesto do Espelho D'Alma

Aquele que concebe espelhos das almas dos homens
nunca pode ter dúvida da sua obrigação;
nunca pode se neblinar com pontífices das cobranças medíocres.
O fazer é um ato ilustre;
produzir, criar, haver de surgir e compor;
pra tudo isso a virtude se faz necessária;
dar vida, e mesmo assim, dada, possa ela falar de morte
ou falar coisa com coisa.
A loucura tem seus propósitos,
e disto também se faz sano aquele que gera palavra
animada de riso ou dor;
Deve sempre se firmar na cruel, insólita e desesperada
responsabilidade vagabunda
de registrar os suspiros dos tempos,
os dias das vidas ou qualquer utopia realista
que a todos atravessa
e se agarra no peito do poeta;
Traga e se apossa, tritura, vulnera, malogra
e por fim onera.

Eis a luz, todo o esforço será castigado;
neste caso, nesta labuta.
Um dia, amanhã, hoje ou ontem,
um ser humano, menino, mulher ou homem, enfim...
Isto de se ver por dentro, janelas da alma.
Não há idade de se colher sentimentos
e com o mesmo desejo que da criação se faça,
faz-se o conhecimento.
A alma se vê, espelhos dela, poetas e poemas,
quem diria que as vidas se encontram no papel?
E assim mesmo, agora se enxerga o motivo
É claro, é necessário ver para crer,
quem lapida espelhos das almas dos homens
não pode esperar reconhecimentos.
Estes são pros homens perdidos de si.
Aquele que escreve espelhos das almas dos homens
não pode desistir, desconhecer, fraquejar ou dar-se às neblinas.
Há muitos desencontrados e todo o serviço é pouco
e não há tempo de se ter dúvidas.

Ler é o abrir das portas
O reflexo como resultado torna a labuta no que se queria
Às vezes doer-se é o remédio,
todo o tratamento é intrínseco,
olhar-se é o soro, quem não sabia?
Basta agora viver...
Custa muito o pouco; não há porque não ser
e o funcionário do poema age,
ele nunca parou e tem sempre esperança
naquilo que não se toca.
Pois, é preciso coragem em ser.

Adaptação do texto de Eduardo Nascimento

Heldemarcio Ferreira
                      
Publicação: www.paralerepensar.com.br  18/08/2005