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LEGADO
(Poema do Galinheiro)
Não me faças chorar pelos cantos
Ao ouvir o lamento dolente de um blues
Nem me sejas a lâmina a cortar os meus pulsos
A sangrar no afã dos prazeres que aos seres seduz
Quando a arte me abstrai do peso desse mundo
Em profundo silêncio sozinho me entrego
E mergulho a esmo em mim mesmo bem fundo
Nas entranhas da alma, quase triste, me apego
Como essas palavras forjadas a ferro
Não passam de penas em um galinheiro
Nossas grandes certezas, quando vistas de perto
São frágeis ilusões de sabor passageiro
É assim que a sentença, por fim, se completa
Na dor definitiva e de intensa presença
Que pra sempre habita na alma do poeta
Condenado a viver em sua (e)terna doença.
Heldemarcio Ferreira
Publicação:
www.paralerepensar.com.br
25/12/2004

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