A casa dos grandes pensadores
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

SOU ÁGUA
 
Sou fluir contínuo,
de onde nada escapa,
sou riacho calmo,
ou revolto mar.
Depende do vento,
a me instigar.
No amar sou água,
límpida, transparente,
descendo a montanha,
diante de nada recuo,
mergulho, contorno.
Percorro o leito do teu corpo,
com maliciosa sabedoria.
Moldo-me, sem resistência,
ao teu jeito meio torto.
Entre rios e correntezas
descubro a própria a vida,
aprisionada na ânsia de amar.
Não retrocedo frente a queda,
que ameaça o desfiladeiro,
logo, me jogo feito cega.
Sinto-me crescer no desafio,
torno-me plena cachoeira.

Fátima Pilla Muller

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 28/04/2006