QUANDO TE ESPERO
Te espero em casa como quem aguarda uma sentença,
taquicardia, suor nas mãos, ansiedade, quase descrença
Tua presença é sempre uma incógnita, ou uma festa,
cancelada na véspera, sem aviso , apenas imaginação.
Sigo meu rito de espera, quem dera ter a certeza,
arrumo a bandeja e coloco meu corpo,
como se fossem biscoitos de açúcar cristal.
Quero derreter em tua boca, as fantasias mais loucas,
os desejos mais amargos que tua ausência me impõe.
Perfumo a casa com meu hálito voraz,
arrumo os lençóis como quem desamassa a saudade,
aliso as marcas machucadas pelo tempo que não te vi.
Esquento a água , fervo meus sonhos,
que são tão só meus...
Fátima Pilla Müller