DESISTO
Me entrego,
jogo a toalha, queimo poemas,
as cartas e
todas as fichas que em ti apostei.
Nesta dancei,
um tango , dois boleros,
cem caetanos,
me desespero, dancei sozinha.
Arranquei
tuas lembranças das paredes,
lavei teu
cheiro da minha pele, apaguei.
Bem mais do
que eu queria,
assim como te
amei, além do que devia.
Levavas tua
vida tão longe de onde eu estava,
enquanto eu,
incansável te esperava.
Cansei meu
amado, de tanto te desejar,
te agradar
todo dia, te fascinar toda noite,
de transpirar
alegria, respirar esta paixão.
Suportar tua
ironia, infinita indiferença,
aos meus
mimos ,sonhos, tudo ilusão.
As fotos já
desbotaram e meu sorriso não,
sinto-me
tola, com um atrapalhado coração.
Ambivalente,
valente para querer, frágil e
despedaçada
para os pedaços colar.
Acalmo minha
saudade, consolo a solidão,
querer
refazer é veneno, aliançar com a tirania,
decretar o
estado de falência da esperança.
O que dói é o
vazio do que já se teve,
a dúvida do
que era, se era , realidade...
Tudo que se
viveu, sentiu...
Ah ! se fosse
verdade.
Fátima
Pilla Muller -
09/07/2006