A casa dos grandes pensadores
 
 
 
  FÁTIMA PILLA MULLER

 

 

 

CHOVE...
 
 Chove há horas lá fora.
 Nunca gostei de chuva,
 sinto-me desconfortável.
 Ela de alguma forma,
 sempre me remete à tristeza,
 lágrimas, céu cinzento, escuridão.
 Sensação de fragilidade,
 por mais que eu me proteja,
 ela me expõe com covardia.
 Da mesma forma como o sol,
 me desperta a luz e a alegria,
 ao impulso de pisar na terra,
 me sentir forte, repleta de luz.
 O tempo me levou a fazer,
 as pazes com a chuva, que agora seduz.
 Descobrir um ninho de aconchego,
 nos pingos que batem na calçada,
 em um compasso harmônico e traiçoeiro.
 Eles martelam minhas lembranças,
 resgatam momentos de nevoeiro,
 que quase sempre, tento fugir,
 lavam o vidro embaçado da memória.
 Fazem frias minhas entranhas,
 os ossos ameaçam rachar.
 Ouço a chuva como quem ouve um vidente,
 ela toca delicadamente as notas de minha alma,
 acorda meus desacordos, encharca meu pranto.
 Aprendi a acolher a chuva e o tempo que se faz cinzento,
 a vida não pode ser só sol, nem lágrimas ou vendaval,
 apenas vivendo a instabilidade, chegaremos ao equilíbrio,
 do corpo, da alma, da lucidez e do pensamento.
 Chove lá fora, como chove dentro de mim.
 
 Fátima Pilla Muller - agosto de 2007

Publicação: www.paralerepensar.com.br  - 06/08/2007