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Meditando sobre
o por que da vida e outras questões transcendentais
Por: Eugen Pfister
Que? Por que? Como? Onde? Quem? Todos sabem que de tempos em
tempos aparece uma suposta resposta para tais interrogações
primordiais. Até sabemos que cientistas, religiosos e taxista
costumam ter uma solução na ponta da língua para aplacar nossas
inquietações intelectuais e espirituais.
Então é assim. De um lado, os que não têm respostas, só
perguntas. Do outro lado, os que pensam que sabem,
mas esquecerem quais as perguntas.
Não sei se me fiz entender. Exemplos, então. Perguntas
pré-históricas são: de onde veio a vida, o universo e a
notificação que estamos em divida com o Imposto de Renda?
Os cientistas têm hipóteses para a primeira questão; quanto à
última, preferem ficar na moita, na esperança de não serem
farejados pelo leão da Receita Federal. Aliás, antes fosse um
leão, já que são reconhecidos por ficarem a maior parte do tempo
na sombra e água fresca, deixando a cargo da leoa a caça, a
pesca e as piadas sobre papagaios.
Mas como estava dizendo, o “por que” isso e aquilo é essencial
para elucidar questões existências, filosóficas, científicas e
outras menos fundamentais. Por exemplo: o que aconteceu antes do
Big-Bang ou em quais postos de gasolina os OVNIS se abastecem em
suas viagens intergaláticas?
Os mais pretensiosos querem saber de onde veio o mundo, o
universo e o hábito dos franceses comerem escargot. Os menos
exigentes vão direto ao ponto e indagam logo de saída: “onde
estou? Essa pergunta está entre as dez mais daqueles que
desconfiam que foram abduzidos e depois largados numa remota
cidade asiática.
Eu me contentaria em saber por que as galochas caíram em desuso.
Aliás, me dei conta dessa necessidade no dia em que meu filho
quis saber o que eu queria dizer com “fulano é chato de
galocha”. Sem querer abusar da paciência alheia, desejo,
respostas para as seguintes questões:
- Como era a vida antes do celular?
- Como os adolescentes namoravam antes da internet e do Orkut?
- Como era possível educar os filhos, cuidar do corpo,
comunicar-se, dirigir até a esquina da rua em que se mora, antes
do advento dos pedagogos, personal trainers, consultores
organizacionais, comunicólogos e o GPS?
Frente a essas e outras perquirições é possível dividir a
humanidade em três grandes grupos. Sei que dividi antes e que
agindo assim pareço o Jack estripador. Mas vamos lá. O primeiro
se caracteriza por, ocasionalmente, questionar por que existo,
por que estou aqui, por que sou quem sou, para onde vou, de onde
vim? E discutem essas questões quando estão nas filas dos
restaurantes por quilo ou quando flagrados em cena de adultério
explicito. Neste caso, trocam as bolas de quem “sou eu” para
“quem é essa louca que está deitada pelada na mesma cama que
eu?” “De onde ela veio?” “Para onde ela vai?”
A indignação é justa. Onde vamos parar se as pessoas, no lugar
de colocarem jabutis nos postes elétricos, colocarem mulheres
sedutoras nas nossas camas?
O segundo e menor grupo é formado pelos que abusam do direito de
interrogar. Dele fazem parte crianças, cientistas, inventores,
pessoas sábias, loucos, delegados de polícia e casais
enciumados. A fronteira entre tais grupos é tênue: todos duvidam
que as coisas sejam o que parecem ser. Amam tanto as perguntas
atrás de perguntas a ponto de desprezarem as respostas.
É o tipo que diz que quer saber a nossa opinião e logo seguir
respondem às próprias indagações.
O terceiro e maior grupo nem sabe o que está acontecendo no aqui
e agora. No dia do Juízo Final, por exemplo, a ficha só cairá
quando não encontram cerveja gelada no freezer e no Fast Shop da
esquina.
Só que, eis um pequeno detalhe, eles são mais felizes, por, não
darem bola para saber o que é ser feliz, como ser feliz, com
quem ser feliz e onde é mais apropriado sê-lo.
Eles trabalham, se casam, pagam as contas, lavam o carro aos
sábados, comem macarronada na casa da sogra aos domingos, usam
boné mesmo dentro de casa, e não se importam quando alguém
diverge das suas opiniões.
Afinal todas elas (opiniões) foram emprestadas e, se não
agradam, sem problema, trocam por outra sem constrangimentos
lógicos, estéticos ou éticos.
Pois é, a vida me leva ou eu a levo. E de essas preocupações, eu
adoraria saber como era a vida antes do Big Bang? Algo existia
antes da grande explosão cósmica, nem que seja o Jean Paul
Sartre escrevendo o primeiro capítulo da sua famosa obra O Ser e
o Nada.
- Eugen Pfister Jr,
consultor, educador, especialista em desempenho humano e
gerencial.
- E-mail
epfister@terra.com.br
Publicação:
www.paralerepensar.com.br 12/11/2008
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