A casa dos grandes pensadores
 
 

EUGEN PFISTER

ENSINAR É APRENDER
Por Eugen Pfister
Acontece com freqüência que o  educador prepara a aula com esmero e carinho e os alunos reagem com displicência, falta de entusiasmo e, no geral, aprendem pouco.
Como muitos enigmas  esse também se resolve na prática.  Vejamos... Se a memória não me trai, o título deste artigo vem de um provérbio da terra do sol nascente. O que me fascina na frase é o poder de síntese que integra, de forma definitiva, dois fenômenos que sutilmente separamos, tal como o educador que estava mais preocupado em ensinar que em refletir como os alunos aprendem.
Ensinar versus aprender? Mas como pode ser? Como resolver essa parada?  E acima de tudo como elevar o desempenho do educando e a auto-estima do educador?
Cobrar mais empenho do professor? Exigir que os alunos prestem mais atenção e participem com maior entusiasmo da aula? Que façam a lição de casa, que leiam e pesquisem mais? Tenho dúvidas e algumas certezas acerca da eficácia desses procedimentos, pois o problema, em definitivo, é outro.
Nada disso. Dedicação, empenho, aprendizagem, motivação devem acontecer  naturalmente. É  inócuo cobrá-las. Para tanto é preciso uma nova forma para lidar com o de déficit de aprendizagem que se manifesta no índice de reprovação, nas notas baixas e na dificuldade em aplicar os ensinamentos na vida real.
A fórmula, caro leitor, é prestar atenção em como os alunos realmente aprendem de forma consistente e duradoura a conjugar verbos, a calcular o quadrado da hipotenusa, a cuidar da saúde, a negociar com clientes rabugentos ou a liderar pessoas e equipes. É claro que não me refiro à aprendizagem mecânica, própria para passar nos testes e depois esquecer.
Assim, ao pensar menos nos seus conhecimentos e ocupar-se mais das necessidades, motivações e estilos de aprendizagem dos alunos, o professor descobre que ensinar é aprender, é adquirir conhecimentos que estão além dos conteúdos dos currículos didáticos formais.
Se o aluno não vai ao mundo didático idealizado pelo professor, que o professor vá até o mundo real do aluno. É preciso ser pragmático. Aliás, não poderia ser diferente uma vez que o mundo real é, essencialmente, prático e não teórico. A boa teoria ora nos diz como as coisas funcionam, ora nos diz como elas poderiam funcionar dadas certas condições e feitas certas adaptações.
Priorizando a aprendizagem, mestres e discípulos embarcam na mesma fascinante viagem da busca de conhecimentos que propiciem prazer e utilidades.
Sim senhores e senhoras, o mestre induz, o discípulo conduz, ainda que as aparências sugiram o contrário. 
Essa é a resposta criativa, melhor ainda, realista, à velha pergunta que os pedagogos se fazem – “quem educa o educador”?
E a resposta é....
Bom, existem duas ou três possibilidades, eu escolhi a minha. Sendo assim, peço licença para deixar a questão em aberto para que cada leitor chegue à suas próprias conclusões.
 
Eugen Pfister Jr, consultor, educador, especialista em desempenho humano e gerencial.
E-mail epfister@terra.com.br
 
Publicação: www.paralerepensar.com.br  14/07/2008