I-n-d-i-v-i-d-u-a-l
As
crianças sempre têm seus heróis. Os meninos querem ser
como o Super-homem, o Batman, ou algum Power Ranger. As
meninas, por sua vez, querem ser como uma princesa dos
contos de fadas: casar com um belo príncipe e ser feliz
para sempre.
Depois que crescem, homem e mulher continuam com os
mesmos desejos no âmago do seu ser. Só a idéia de herói
se desfaz. Mas, cada um, o seu modo, permanece na busca
da satisfação do sonho criado na infância: o homem quer
ser o super-protetor – seja na família, no trabalho ou
numa briga de bar depois de uns goles a mais – enquanto
a mulher, quer encontrar alguém pra ter filhinhos e ser
o P.M. perfeito (entenda-se P.M. por pau-mandado).
O que
é engraçado nos seres humanos é o fato de, por mais que
se digam racionais, se deixam manipular por ideologias
que os fazem fugir da sua própria natureza. O casamento,
por exemplo: quem foi que disse que uma pessoa do sexo
masculino pode fugir dos seus instintos selvagens –
visto que ele é um animal – e se domesticar a ponto de
nunca mais sequer olhar para uma outra fêmea porque
\"ama\" a sua escolhida? Vou mais fundo: que vantagem há
nisso? Os outros animais simplesmente acasalam, vivem
momentos especiais para ambos e depois se deixam levando
consigo boas lembranças. Para que mais?
Os
seres humanos são tão patéticos que sacrificam a própria
individualidade por terem medo do que os outros vão
pensar deles. Deixam-se influenciar pela mídia, pela
religião e pelas outras instituições dissimuladas, pelo
bem da ordem social. Eis aí uma palavra que me intriga:
social. Eu gosto mais da palavra individual. Cada um no
mundo aceitando-se como ser único, amando e respeitando
os outros indivíduos, sem esse negócio de poder, de
posse. Os humanos primeiro possuíram a terra. Depois os
outros animais. Depois, não se contentando, quiseram
possuir-se um ao outro. E fez-se a desgraça. Que direito
alguém tem de querer o amor do outro só pra si?
Sabe
o que eu acho, de verdade, que diferencia o animal
humano dos demais? A capacidade de ser tão hipócrita.
Ellen
Vieira