A casa dos grandes pensadores
 

ALBERTINO FERNANDES NETO

 

 

 

 
TE ESPERO
 
Te espero ainda,
No momento presente,
No instante parado,
Na palavra impotente.
 
No passado quebrado,
Na incerteza da convivência,
No crédito de amar,
Com clamor penitência.
 
Nos rasgos do choro,
Nas dores do vazio,
Realçando carmim pálido,
Que louco destruiu.
 
Te espero no almoço,
Te espero no banho,
No deitar solitário,
No meu sonho te acompanho.
 
No caminho das nuvens,
Te espero no céu,
Me encontro nas estrelas,
Me encubro em teu véu.
 
Te espero nas calçadas,
Nas ruas, nas vitrines,
Nas lojas , nos bares,
Nas noites sem mim.
 
Te espero em meu canto,
Que mal posso cantar,
Na voz que emudece,
Que mal te pode chamar.
 
Te espero no campo,
Nas favelas, nos barracos,
Nas mansões ensolaradas,
Nos bilhares, nos tacos.
 
Te espero viajando,
Nos Campinas em verão,
Nos bancos de areia,
Distraio a solidão.
 
Te espero nas festas,
No ano novo e natal,
Nos festejos das ruas,
No alvoroçado carnaval.
 
Te espero no restaurante,
Onde sacio minha fome,
Te vejo no hambúrguer,
No guardanapo o teu nome.
 
Te espero entre amigos,
Onde aplaco a tristeza,
Com as mulheres te encontro,
Entre a cachaça e a cerveja.
 
Me queimo neste inferno,
E te espero ainda assim,
Te prendo em meus braços,
E não temo este fim.
 
Albertino Fernandes ( Pensa-me)
 
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