Agonia
     

A casa dos grandes pensadores
 

ALBERTINO FERNANDES NETO

 

 

 

 

PIVETE 
 
Eu vou contar o meu caso
O meu jargão de viver
Correndo dos homens e leis
Já não me deixam crescer
 
Eu sou o alcunha menor
E tenho nome bacana
Mas tomo muito cuidado
Pois sei que a vida é sacana
 
Eu aprendi a ser torto
Levado da breca e matreiro
Cresci no meio de malandros
Pivete de janeiro a janeiro
 
E sou aquele garoto
Que limpava com jeito o seu carro
Meio molhado e com fome
Lustrei seu sapato do barro
 
Ri, a sociedade que diga
Nada melhor pra contar
Eu sou o moleque de rua
Roubando aqui e acolá
 
Cresci assim meio perdido
Aprendendo tudo de mal
Num mundo repleto de gente
Bang-bang e policial
 
Nessa estrada sempre sou réu
Assim me explicam pro mundo
E vivendo como gato de rua
Ai Deus, um eterno vagabundo
 
Sei sou bastante pivete
Pois fui criado assim
E pra macular toda raça
Sou o início, o meio, e o fim.
 
Albertino Fernandes ( Pensa-me)

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