Agonia
     

A casa dos grandes pensadores
 

ALBERTINO FERNANDES NETO

 

 

 

 

ALLEGRO I

Despertam-me noites, desabrochando teus olhos,
Sorrio contigo, teu riso belo e rosado,
Subjugado inclemente por tuas faces qual pétalas,
Infantilmente querendo, puerilmente animado.

Folgo em ver-te nas manhãs que despontam
Em corpo ardente a desejos lançados,
Brilhante ao sol, desmanchando-se em luz,
Esculpindo vôo qual multicor emplumado.

Canto que ouço da tua voz que emana,
Mavioso cantar em alegres gorjeios,
Dão-me instantes que não sei se agora,
Atam-me a ti por breves devaneios.

Perpassas por mim teu corpo distante,
Por perenes momentos em tua áurea imponente,
Com encontros fortuitos, roubando assim mesmo,
Majestosos momentos de lascívia crescente.

Qual fera desperta, absorvo teu bálsamo
Matinal teu aroma que em fragrâncias me enleva
Num expor natural, dou-me selvagem este ser,
Me torno nascente em teus braços de relva

Me tens por instantes e me prendem liames
Inebriam minh'alma, me sacodem a raiz
Sentindo de pulso o encanto do abraço
Recolhendo enfim, casto prêmio de lis.

Seivas explodem alimentando esperanças
Respirando teu ar, deglutindo teu ventre
Ávido sorvendo, sôfrego e faminto
Renascendo em golpes brilhantes e ardentes.

Albertino Fernandes (Pensa-me)

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