A casa dos grandes pensadores
 
 
 
 

ANTONIO PAIVA RODRIGUES

 

 

 

INVERNO iMANTA FLORES

No árido solo nordestino sementes são inseridas.
Transformando o destino ditoso em vidas enternecidas.
Sertão de seca inclemente, de sol bravo e abrasador.
De vegetação resistente e renitente, onde o sertanejo
supera a vida e a dor. A esperança é a última que morre,
diz o dito popular, mas a fé nunca faltará. A espera e uma
ansiedade enorme, a felicidade não será um deus-dará. 
Pela fausta escotilha dos sonhos a esperança dorida
declinará a água vertendo dos céus risonhos,
onde o inverno benfazejo reinará.

A mente a imagem do lindo inverno europeu,
desaparecendo o fulgor do deserto africano,
o mar azul do nordeste floresce e renasce.
O verde das matas transforma o insano
no cotidiano. A orquestra das aves em áureas
revoadas, a gratidão brilha eterna cheia
de esplendor nas horas sem consolo, alçadas
e reclamadas são eternos prantos esquecidos
sem destemor.

O inverno traz alegria e fenece a dor a luz da vida,
onde o bem vencerá, haverá momentos de alegrias,
silêncio e preces altaneiras e renovadoras,
de ingredientes de paz, de dulcificação de mãos
misericordiosas, nos caminhos da libertação das
masmorras. Nas esperanças divinas onde se instalarão
vidas fortalecedoras e benfeitoras de uma paz imorredoura.

O sertanejo audaz verá a força do trabalho se transformar
em passe de mágica, numa colheita esnobadora é a fome
que se esvaia e a alegria que não desdita,
que a triste partida
seja eterna alegria, que o inverno seja uma rotina
na esperança que irradia.

Que a água bendita dos céus não vire escarcéus
seja eterna e benfazeja, aniquilando a fome, a miséria
e a pobreza, o sofrimento e a dor, que sacie a fome
e mate a sede e seja grande laurel. O inverno seja
onipresente para acabar a indústria da seca, que a fartura
seja a ternura e não ócio que fulmina e nos enche de dor.

Que as crianças tenham alimentos em profusão e não
dependam da corrupção, do crime, das drogas, da prática
do sexo horrendo, seja a espera dos que vem morrendo
sem esperança, sem escolas e na rua, não sejam
charruas malditas, sejamos alegres e persistentes,
pedindo a Deus a água do inverno sempre, que sustenta
tanta gente, proporcionado à volta dos emigrantes sendo
a festa oferenda divina para os parentes e aderentes.
Deus pai de todos e dos inocentes não deixe
que o inverno almejado e abençoado nunca abandone a gente.

Antonio Paiva Rodrigues - Membro da ALOMERCE

Publicação: www.paralerepensar.com.br - 28/04/2008