Haja idealismo!!!
Por Alessandra Leles Rocha
No mês em que
comemoramos o Dia das Crianças e o Dia do Professor,
infelizmente, as manchetes jornalísticas retratam episódios
lastimáveis de violência contra docentes cometidos por alunos
ainda na infância.
Sempre ouvimos dizer que “as crianças
são o futuro de um país”; mas, do jeito que as coisas estão
nosso futuro não acena com boas perspectivas. É claro que
existem crianças de boa índole, exercendo seu papel normal e
feliz de criança, em todas as instâncias sociais – da mais
humilde a mais próspera. Entretanto, em meio a essas “ilhas de
felicidade”, a fúria da violência e da mais plena inversão de
valores éticos e morais corromperam a infância desde as idades
mais precoces. É como se não houvesse limites, normas. Regras
a serem cumpridas e exercidas de forma natural por todos e a
educação moral e cívica, que deveria ser ensinada e cultivada
no âmbito familiar, se perdeu em meio ao caos cotidiano ou foi
delegada a quem possa interessar.
O resultado dessa dinâmica acaba por
recair nos ombros do sistema educacional brasileiro. Haja
idealismo! Para a grande massa de professores, ou melhor, “sofressores”,
cuja valorização profissional há tempos deixou de existir e
sua rotina beira as raias da exaustão para sobreviver, restou
também o papel de educador e, não somente, do formador ou
instrutor intelectual. Aos que tem boa vontade e o veio do
amor à arte de ensinar pulsante, a vida de sacrifícios culmina
nas arenas escolares onde são entregues a ferocidade dos
alunos, como acontecia aos cristãos entregues aos leões.
Que tristeza! O pior é saber que muitos
dos pais ou “responsáveis” por essa infância corrompida
sentem-se ultrajados quando são chamados a responder pela
responsabilidade de atos criminosos cometidos por essas
crianças. Lavam as mãos diante da própria culpa, para não
dizer do dolo consciente que sua inteligência norteia diante
dos fatos.
E assim vamos perdendo as crianças e os
professores. Elas estão cada vez mais cedo sendo conduzidas à
adultização pelas ações e pensamentos impróprios ao seu
desenvolvimento até se transformarem em figuras
irreconhecíveis e disformes ao convívio social. Eles estão
cada vez mais descrentes e aterrorizados para abraçar com
convicção a licenciatura, a superar as adversidades materiais
em nome do ideal, quando se vêem diante de escolher entre o
desenvolvimento intelectual do país ou defender sua própria
vida. Segundo Monteiro Lobato1,
“UM PAÍS SE FAZ COM HOMENS E LIVROS”; mas, se continuarmos a
esquecer desses dois elementos fundamentais, nosso país
acabará em ruínas.
1
Importante escritor
brasileiro do Pré-Modernismo (1900-1922). Autor de Urupês
e Cidades Mortas, quando se volta, em seus contos, para o
cotidiano do caipira. É muito conhecido pelas histórias
infantis do SÍTIO DO PICAPAU AMARELO.
Alessandra
Leles Rocha