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Esperança e glória em tempos difíceis
Por Alessandra Leles Rocha
Para centenas de milhares de cidadãos
mundo afora, a realidade das eleições nos Estados Unidos da
América pode até ter representado um gosto amargo de
insatisfação, na medida em que estampou por todos os cantos a
importância daquela nação sobre o rumo das demais ao redor do
globo.
Trata-se daquela verdade que durante
décadas tentou-se atribuir a uma megalomania cinematográfica,
na qual eles sempre venciam os inimigos, defendiam os fracos e
oprimidos, resolviam toda e qualquer mazela que a sua porta
viesse bater. Mas, no fundo desse roteiro, talvez sem tanta
beleza ou glamour, de fato o país “da liberdade e da
democracia” sempre foi a fivela do cinto que segurava as
diretrizes do mundo moderno. Agora, com o estouro da mais
grave crise econômica enfrentada pela humanidade, pegos de
“calças curtas”, sem saber direito como resolver seus próprios
problemas, encontraram o resto do planeta desesperado e ávido
pela orientação da grande águia.
Como nos clássicos hollywoodianos, o
herói da realidade surge amparado pela mais retumbante
aclamação eleitoral de todos os tempos na história
norte-americana. Barack Obama1
trouxe a esperança depois da ruína Bush2
e involuntariamente transformou o exercício eleitoral não
obrigatório em missão sacerdotal aos que crêem no futuro. A
crise foi capaz de quebrar tabus, de transcender o
inimaginável na cultura norte-americana, de destruir de vez o
muro da intolerância racial, que há quarenta anos conseguia
demover os primeiros tijolos com a garantia dos direitos civis
aos negros, naquele país.
Neste quatro de novembro, o sonho de
Martin Luther King Jr.
3 fez-se
concreto: brancos, negros, mestiços, latinos..., o mundo
saldou unido à chegada de um novo líder. Alguém despojado de
super poderes, de fórmulas mágicas, de uma situação plenamente
à favor para seus propósitos; mas, que ao contrário de tudo
isso, chega de mãos limpas, com coragem e sobriedade para
governar, com capacidade de escolha para definir seus
assessores e as prioridades para enfrentar.
Diz a história que todos os grandes
impérios caíram; mas, o mundo acabou de descobrir que se isso
for verdade, dessa vez será o nosso fim. Por isso, tantas
etnias, tantos credos, tantos olhos fixos quanto à vitória de
Obama. É preciso acreditar que o príncipe das minorias, o
quadragésimo quarto presidente dos Estados Unidos da América
acenderá a esperança e a glória em tempos difíceis, que
marcarão profundamente a saga da humanidade e nos farão
repensar todos os nossos valores e princípios.
“Sim, nós podemos!”
4 Podemos
transformar, ousar, lutar e vencer sem precisarmos degustar o
fel do aprendizado inconseqüente e omisso. Podemos viver o
esplendor deste século sem amarras, sem vergonhas, sem
preconceitos que só nos fazem enxergar a vida pelo limite do
buraco de uma agulha. Podemos nos render a euforia deles na
consciência de que no final das contas habitamos uma esfera,
onde não há início, nem meio e nem fim, estamos todos
navegando o mesmo barco. Como disse John Lennon5,
“é preciso ter sonhos e a certeza de que tudo vai mudar. É
necessário abrir os olhos e descobrir que as coisas boas estão
dentro de nós, onde os sonhos não precisam de motivos e nem os
sentimentos de razão”.
1
Barack Hussein Obama II
(Honolulu,
4 de
agosto de
1961)
é um
político
dos
Estados
Unidos da América, eleito[1]
o 44º
presidente
de seu país, pelo
Partido
Democrata. Sua candidatura foi formalizada pela
Convenção do
Partido
Democrata em
28 de
agosto de
2008.
É
senador
pelo
estado
de
Illinois.
Obama foi o primeiro
afro-americano a ser eleito presidente
estadunidense. É também o único senador
afro-americano na atual legislatura. Graduou-se em
Ciências
Políticas pela
Universidade Columbia em
Nova
Iorque, para depois cursar
Direito
na
Universidade de Harvard, graduando-se em
1991.
Foi o primeiro afro-americano a ser presidente da
Harvard
Law Review. Obama atuou como líder comunitário
e como advogado na defesa de direitos civis até que, em
1996,
foi eleito ao Senado de
Illinois
(Orgão integrante da Assembléia Geral de
Illinois,
que constitui o poder legislativo local), mandato para
o qual foi reeleito em
2000.
Entre
1992
e
2004,
ensinou direito constitucional na escola de direito da
Universidade de Chicago. Tendo tentado, em 2000,
eleger-se, sem sucesso, ao
Congresso
Americano, anunciou, em janeiro de 2003, sua
candidatura ao
Senado
dos Estados Unidos. Após vitória na eleições primárias,
foi escolhido como orador de honra para a Convênção
Nacional do Partido Democrata em julho de 2004. Em
novembro, foi eleito Senador dos Estados Unidos pelo
estado de
Illinois
com 70% dos votos. Em
4 de
janeiro de
2005
assumiu o atual mandato, o qual tem duração até
2011.
Como membro da minoria democrata no período entre 2005 e
2007, ajudou a criar leis para controlar o uso de armas de
fogo e para promover maior controle público sobre o uso de
recursos federais. Neste período, fez viagens oficiais
para o leste europeu, o oriente médio e África. Na atual
legislatura, contribuiu para a adoção de leis que tratam
de fraude eleitoral, da atuação de lobistas, mudança
climática, terrorismo nuclear e assitência para militares
americanos após o período de serviço.
3
O Dr. Martin Luther King Jr.
(15/01/1929,
Atlanta / Geórgia – 04/04/1968, Memphis / Tennessee) foi um
pastor e ativista político estadunidense. Pertencente à
Igreja Batista tornou-se um dos mais importantes líderes
do ativismo pelos direitos civis (para negros e mulheres,
principalmente) nos EUA e no mundo, através de uma
campanha de não-violência e de amor para com o próximo.
Tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Prêmio Nobel da
Paz em 1964, pouco antes de seu assassinato. Seu discurso
mais famoso e lembrado é “Eu tenho um sonho” (I have a
dream).
4
Expressão usada em toda a
campanha eleitoral de Obama.
5
John Winston Lennon
(09/10/1940 – 09/12/1980). Foi o nome mais importante da
banda inglesa BEATLES, pela sua capacidade de criação
musical. Foi assassinado por um fã, quando saia de sua
gravadora pela manhã, em Nova York.
Alessandra
Leles Rocha
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