De guerra ou de paz?
Por Alessandra Leles Rocha
Milhares de problemas explodindo ao
redor do globo terrestre e ao fundo, como não poderia ser
diferente, o clamor pálido e constante pela paz.
De fato seria maravilhoso se algum dia
a humanidade alcançasse o mais alto grau de consciência e
fizesse daquele sonho idealizado por Martin Luther King Jr.
1 a realidade de
nossos dias. Paz permeada de respeito, de tolerância, de
igualdade, de liberdade, de fraternidade, de solidariedade, de
desenvolvimento e de progresso. Seríamos o espelho a refletir
a face de uma nova era, de um tempo aberto para se elevar o
espírito e cultivar valores que enobrecem e edificam o
indivíduo.
Mas, por mais que se pense ou se
proclame a Paz, essa civilização, como todas as que lhe
precederam, não está pronta a desfrutá-la. Nem só por armas e
outros artefatos bélicos está ameaçada a Paz! Na grande
maioria das vezes, o perigo surge nas palavras, nos discursos.
A razão humana abre as mentes a toda sorte de idéias e
pensamentos que tanto podem unir e agregar, quanto destruir e
extirpar. Confrontos ideológicos, divergências
comportamentais, observações equivocadas, egos em disputa e o
cenário da Paz se esvai como nuvem de fumaça. Mahatma Gandhi2
quando dizia “não há caminho para paz; a paz é o caminho” só
esqueceu-se de que a mola desse processo era o próprio homem.
Medido na proporção metade besta metade homem, o ser humano
idealiza aquilo que no fundo de sua alma sente-se incapaz de
atingir. Por isso, tantos discursos, teorias, propostas e tão
poucas ações práticas e contundentes. Nem mesmo sozinhos,
fechados e absortos em nossa própria vida atingimos a Paz! É
difícil! Realizar tamanha transformação é conseguir domar a
nossa própria inquietude. É deixar o egocentrismo juvenil de
lado e reconhecer-se cercado de outros egos tão importantes e
vitais quanto o nosso.
Mais do que bandeiras ou lenços brancos
pendurados nas janelas é preciso querer clarear os sentidos,
flexibilizar os conceitos, demolir as fronteiras, aprender com
a dinâmica vital da própria Natureza. A Paz já acenou sua
urgência necessária ao mundo, só resta a ele mudar de atitude
e fazê-la instalar-se dentro de seus próprios caminhos.
2 Líder
e inspirador do movimento de independência da Índia.
Tornou-se célebre pela sua estratégia de não-colaboração e
não-violência. Morreu em 1948, assassinado por um fanático
hindu que o culpava pela partilha do país.
Alessandra
Leles Rocha